Publicado por: J.Pinto | 2013/09/06

Não se preocupem, eu pago


Cinemateca vai receber 700 mil euros em «dotações extraordinárias»

Fico muito contente por saber que o dinheiro dos meus impostos permite a outras pessoas assistirem a filmes por metade do preço que eu tenho de despender para ver uma sessão cinematográfica.


Responses

  1. Concordo consigo, embora a Cinemateca passe filmes que não passam pelo circuito dito mais comercial.
    Não faço ideia dos custos das licenças para poderem ter filmes de autor, ou filmes mais antigos que não passarão nunca mais nos cinemas comerciais, e acredito que por isso a Cinemateca deverá continuar a ser financiada pelo estado, que, apesar de tudo, deve apoiar a cultura.
    Dito isto, valerá talvez a pena rever o modelo da Cinemateca – talvez ciclos por pedido da parte do público – de modo a assegurar um número mínimo de espectadores por sessão.
    E sim, o preço dos bilhetes deveria ser ao menos igual ao dos restantes cinemas.

  2. Talvez valha a pena ver o valor que a Cinemateca custa aos portugueses que – o Orçamento do Estado de 2013 tem uma dotação de 4000 milhões para esta entidade.

    No que respeita ao apoio que o Estado deve dar ou não à cultura, não concordo consigo. Estamos a falar de uma cultura que chega a poucos, a muito pouca gente.

  3. Caro J.Pinto, essa é toda uma outra discução:

    O Estado deve apoiar qualquer tipo de cultura, e de todos os critérios e regras para esse apoio que se possam definir, o facto de chegar a pouca gente é (quase) o critério que não deve ser tomado em conta.

    Quanto ao valor que é dado à Cinemateca – que parece exagerado – reforço a ideia que esta deveria procurar fontes de financiamento próprias, além do Estado.

    Ao obtar-se por um critério para apoio do Estado de “chegar a muita gente”, abre-se um precedente perigosíssimo. Dois exemplos rápidos:

    – Para quê ter uma Rede Nacional de Museus se estes estão muitas vezes vazios?
    – Para quê ter Bibliotecas Municipais?

    E no exagero total do precedente, para quê ter eleições abertas a toda a gente se a taxa de abstenção média das últimas 10 eleições anda pelos 40% ? (não fui procurar os dados correctos ao INE, este comentário foi escrito mais a quente, para bem da discussão, mas não andam longe disso.)

    Mas como eu disse no início, é toda uma outra discução.

    Cumprimentos

    • Por «discução» queria, obviamente, escrever «discussão».
      A hora e a velocidade da escrita são as verdadeiras culpadas deste tremendo erro ortográfico.

  4. Caro RC Pereira,

    Quando diz que o Estado deve apoiar qualquer tipo de cultura, é a sua opinião, eu não concordo.. na maior parte das vezes, essa cultura de que fala serve apenas para alimentar algumas pessoas… as pessoas que ganham com um produto que ninguém quer comprar.

    Depois vem o conceito de cultura. Não sei porque é que um filme português que não é visto nem apreciado por ninguém deve ser considerado cultura. Também não descortino qual é a vantagem para a sociedade deste tipo de cultura… é que, no conceito de muita gente, o conceito de cultura é demasiado abrangente..

  5. Caro J. Pinto,

    É a não concordar mas a saber discutir ouvir os outros que as opiniões se formam, de mais informadas.
    Por isso gosto do seu blogue, uma vez que traz informação e pontos de vista que não se encontram nos medias.
    E respeito o seu ponto de vista em relação a este post em particular, apesar de não concordar com ele.

    Apenas um pequeno promenor, digo que o Estado deve apoiar qualquer tipo de cultura, mas que, ao mesmo tempo, deve haver critérios e regras para esse apoio.

    Apenas acho que o facto de não se visto por muita gente ou apreciado não deve ser critério.

    Quase todos os saltos culturais que existiram foram, de início, um choque para o público em geral.

    A título pessoal, acho que os quadros da Paula Rego são um horror, e que as exposições da Joana Vasconcelos, mesmo muito populares, não trazem nada de concreto. Mas ainda bem que estas artistas conseguem expor os seus trabalhos. Para elas e para o seu público. E sim, apesar de não me identificar minimamente com estas duas artistas, para mim também.

  6. RCPereira,

    Aprecio muito a sua forma honesta de discutir estes assuntos (sabemos que muita vezes são orientados por ideologias que aniquilam qualquer discussão), apesar de neste campo, como pode ver, não concordar consigo.

    Eu também não sou apreciador da Paula Rego nem da Joana Vasconcelos, mas até acho que elas não necessitam do apoio do Estado para nada, porque conseguem atrair um conjunto bastante alargado de público que é capaz de pagar para comprar a sua obra.

    Aliás, penso que os grandes artistas, caso o Estado deixasse de os apoiar, conseguiriam perfeitamente continuar a ter sucesso (se calhar, até mais do que atualmente).

    Um dia podemos discutir isto mais aprofundadamente, mas a minha opinião mantém-se: não percebo porque é que devemos apoiar, por exemplo, a Paula Rego.. não consigo descortinar a mais-valia para a sociedade em geral…

    É a minha opinião…

  7. JPinto,

    Se o post inicial fosse em relação ao apoio dado às artistas acima citadas em vez de ser o apoio à Cinemateca, provavelmente era-me muito mais difícil ter iniciado esta conversa, se bem que, para o meu ponto de vista, era mais coerente defendê-las como tentei fazer para a Cinemateca.

    Concordará comigo que a Cinemateca passa filmes que serão (pelo menos alguns) o expoente máximo do que se pode fazer com a sétima arte, e que por terem mais de 10 anos, dificilmente concorrem com o último filme do Tom Cruise, ou de outro actor mais badalado.

    Na minha opinião, o Estado deve garantir acesso aos seus cidadãos a este tipo de cultura. Não de forma gratuita – ou quase -, mas providenciar acesso. Porque é necessário. Porque faz bem ver coisas diferentes. Porque aprendemos. Porque nos inspira a também querermos fazer coisas pelo e para o mundo.

    Julgo que o grande problema aqui é o estado actual do País, onde o dinheiro não chega para necessidades mais básicas. E quando não chega a estas, parece-nos monstruoso que se dê dinheiros para actividades mais superfluas do que para o urgente.

    Não tenho nem pretendo ter resposta para isso.

    Se é mais urgente comida e medicamentos que um ciclo de filmes italianos dos anos 50, parece gritante que o dinheiro deva ser canalizado para aí.

    Num texto de R. Kaplan de 1997 «Was Democracy just a moment?», a páginas tantas fala-se do desenvolvimento de um país. E vem a frase “first create an economy, then worry about elections”.

    Para um democrata convicto, esta frase choca-me. Mas ao mesmo tempo tem de haver condições para que a democracia prevaleça, e a economia é uma delas.

    E no entanto.. penso que se só tratarmos do urgente, dos sintomas, não vamos nunca conseguir tratar a doença. E a cultura pode tornar-nos mais saudáveis, ou, pelo menos, ser uma das alavancas para chegar a esse estado.

    Mas admito que talvez seja ingénuo..

    Não vou gastar mais o seu espaço – e tempo -, mas agradeço-lhe o momento proporcionado para esta agradável conversa.

  8. Interessante esta discussão.

    Só mais uma achega por causa do conceito de cultura. Parece, aqui e ali, que devemos dar ao povo o que o povo gosta e pronto!!! Não concordo!

    Também não concordo quando é dito que não se deve apoiar o cinema português porque ninguém gosta! Como assim? Não devemos defender a nossa bandeira? Só interessa a cultura de massas? Já para não falar da Paula Rego e Joana Vasconcelos. Estou mesmo a ver a população rural a fazer fila para visitar as suas obras!!! E para não falar na Escola. A maioria dos alunos não quer aprender, não se interessa, não gosta! Deve o Estado investir na cultura deles? Para mim, inequivocamente, que sim!!

    Quanto à Cinemateca, não conheço, não posso fazer um juízo de valor, mas repugna-me muito mais o Governo pagar as dívidas do Boavista, ou seja, nós contribuintes!!

  9. Bom dia, m. elis,

    Não entendo muito bem o que é cultura (termo subjetivo) e o que deve e não ser apoiado pelo governo. A minha opinião é diferente. Não confundo educaçãoou saúde com filmes e concertos.

    Eu não considero que uma peça de teatro das que se fazem por aí todos os dias deva ser apoiada pelo governo, não só porque não lhe reconheço qualidade como não reconheço vantagens para a sociedade. Na maior parte das vezes, o financiamento do Estado serve apenas para manter alguns parasitas no ativo.

    No que respeita ao Boavista,ou outros clubes,concordo perfeitamente consigo.

  10. Caro, J.Pinto,

    Temos mesmo visões diferentes sobre este assunto, embora reconheça também algumas instituições, da cultura ou não, como desnecessárias. Não é, na minha opinião, o caso da Cinemateca.

    Espero que não considere falta de respeito por lhe deixar aqui o relatório de atividades e contas desse organismo (mais pelas atividades do que pelas contas) e verá que não faz uns teatrinhos e passa uns filmezecos sem qualidade. É detentora, também, de parte da nossa história e património cultural.

    http://www.cinemateca.pt/CinematecaSite/media/Documentos/Relatorio_de_Atividades_2012.pdf

  11. Boa noite, m. elis,

    Esteja completamente à vontade; qualquer documento que sirva para uma séria discussão é bem vinda.

    Eu já tinha visto esse relatório e não vi nada de especial – aliás, fui à procura das contas, mas essas não se encontram nesse relatório; também não consegui encontrá-las em lado nenhum. Não fosse eu um cético nesta matéria e duvidaria logo da razão da não existência (ou da visibilidade) dessas contas.

    É claro que a Cinemateca não faz apenas uns teatros que ninguém vê (pouquíssima gente vê) e que, na minha opinião, não acrescentam nenhum valor aos portugueses. Mas recordo-lhe, m elis, que esta instituição absorve mais de 4 milhões de euros anuais dos nossos impostos. Acho exageradíssimo para a sua função…

    Pode ver aqui os valores que o Estado distribui pela Cinemateca: http://www.portugal.gov.pt/media/736290/oe2013_mapa07.pdf

  12. Olá boa tarde,

    Reconheço-lhe razão em alguns aspetos.
    Relativamente ao valor, parece ser elevado mas é subjetivo visto que não sei com rigor e em pormenor a atividade desenvolvida pela Cinemateca.

    No entanto, a nossa discordância, tem certamente mais a ver com o que é cultura para cada um de nós.

    Evidentemente que respeito opiniões diferentes das minhas, mas eu acho que a cultura (e não só) não deve dar lucro, tal como a educação (e não só). O lucro virá traduzido de outra forma.

    É o que penso🙂
    Obrigada pelo bate-papo.
    m.elis

    • Boa noite, M. elis,

      Muito obrigado por ter partilhado a sua opinião, apesar de, como disse, não estarmos de acordo.


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