Publicado por: J.Pinto | 2011/06/20

Modelos económicos


É verdade, Portugal evoluiu muito nos últimos anos. Não obstante algumas críticas, legítimas, Portugal transformou-se imenso nos últimos 20 anos. O actual modelo económico, escolhido por Portugal, é totalmente diferente do modelo em que assentava a economia portuguesa em 1930, em 1950, em 1970, em 1980 ou mesmo em 2001.

Portugal passou de um país fechado, com moeda própria e assente no negócio do preço, para uma economia de mercado, com moeda forte – e incontrolável – e incapaz de combater pelo preço baixo (como é possível continuar a pensar que as empresas portuguesas podem competir com as empresas da China, da Índia ou do México, em termos de preço?). Em termos de preço, nem com os países do Leste Europeu somos capazes de competir. Por isso, falar em reduzir salários ou custos de produção como forma de aumentar a competitividade das nossas empresas, na maioria dos casos, é uma tarefa infrutífera. As empresas portuguesas, se querem sobreviver, têm de apostar em elementos diferenciadores, têm de criar valor, têm de fugir do negócio do preço. Alguém é capaz de me explicar por que razão é que as empresas do sector do calçado tiveram em 2010 um dos melhores anos, sabendo que o calçado português é o segundo mais caro do mundo? De igual modo, as empresas do sector têxtil, aquelas que sobreviveram e apostaram em elementos diferenciadores, estão em ascensão clara. A resposta está na capacidade de se diferenciarem; a resposta está na estratégia seguida – a de não competir directamente com a China ou com a Índia no negócio do preço, mas a aposta em elementos diferenciadores e, muitas vezes, não controlados pelas empresas daqueles países.

Como facilmente se verifica, a economia portuguesa foi alvo de transformações profundas no seu modelo competitivo. Se, antes da entrada de Portugal no Euro, ou antes da entrada da China para a Organização Mundial do Comércio (OMC), fazia sentido que as empresas portuguesas reduzissem os custos do trabalho como forma de aumentarem a competitividade, agora não é essa a realidade para a grande maioria das empresas. Da mesma forma, o Estado deixou de ter controlo sobre a moeda. Já não é possível desvalorizar a moeda de tal forma a tornar os nossos produtos mais baratos no exterior. Portugal não tem qualquer controlo sobre a apreciação/desvalorização do Euro.

Com a mesma moeda, outros países continuam a ser competitivos. A Alemanha, por exemplo, continua a ser competitiva com uma moeda forte. Os seus produtos, apesar de não serem mais baratos que os da China (não há comparação), continuam de vento em popa. Mesmo numa época de crise mundial, as exportações das empresas portuguesas, em 2010, em alguns sectores, cresceram a dois dígitos. Se as empresas que concorrem pelo negócio do preço continuam a fechar (basta fazer uma análise superficial para verificar isso mesmo), e as que sobrevivem e fabricam produtos com valor acrescentado não têm parado de crescer, não está claro que o nosso negócio não é o do preço?

Numa economia de mercado, não vejo outra solução que não seja dar liberdade às pessoas para investir. Esta é a minha sina. Nós temos boas empresas, temos é poucas empresas. Necessitamos de atrair muito mais investidores, pessoas que estejam dispostas a empreender, a investir e a ajudar Portugal. Não vejo qualquer solução que não passe, impreterivelmente, pelo incentivo ao investimento privado. O Estado, tendo em conta as suas limitações, tem de facilitar a vida a todos os que queiram investirem Portugal. Sóassim teremos sucesso.

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