Publicado por: J.Pinto | 2010/08/02

Ainda a competitividade e os salários


Nesta entrevista, Pedro Reis fala de muita coisa: salários, competitividade, endividamento, défice, privatizações, etc. Começou bem ao assumir a competitividade como uma das lacunas das empresas e de Portugal.

Falando do tecido empresarial português: “Também há empresas mais pequenas que encontraram um nicho e souberam trabalhar o seu valor acrescentado”. Mais à frente diz que os salários em Portugal, tal como os impostos, devem descer 10 a 15% por cento. Mas como é que aquelas empresas que “encontraram um nicho de mercado” “souberam trabalhar o seu valor acrescentado”? Seria através da redução dos salários? Não me parece. Façamos uma análise àquelas empresas e retirem-se as devidas conclusões.

Como já aqui disse, a competitividade das empresas portuguesas não está dependente da descida de salários. Uma empresa que apenas consegue competir se baixar 10 ou 15% o salário dos seus funcionários apenas está a adiar o inevitável. Mais tarde ou mais cedo (será mais cedo do que espera) fechará e deixará de conseguir vender os seus produtos. O problema destas empresas é estrutural e não se resolve com a descida dos salários.

Mais à frente na sua entrevista:

“Quais são os novos mercados de exportação? Espanha e a Europa ficaram para trás. Entrando no Brasil, está-se a cobrir todo o território da América Latina e fecha-se o triângulo com Angola. Mercados emergentes como a China surgem em número três e em número quatro, os Estados Unidos. Não acredito na Europa como destino, a Europa está em crise e, se quiser mais barato, vai comprar à China, se quiser melhor, vai comprar à Alemanha.”

Faz sentido “, se quiser mais barato, vai comprar à China, se quiser melhor, vai comprar à Alemanha.”. Mas qual é a ideia para as empresas portuguesas? Vender barato como a China (impossível) e concorrer com países de custo baixo ou vender e prestar serviços de valor acrescentado como a Alemanha? Mais uma vez, por aqui se vê que a estratégia do corte nos salários não é capaz de tornar as empresas portuguesas mais competitivas.

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